Apenas faça

Durante muito tempo me perguntei, repetidamente, em que momento da nossa história humana diminuímos a luta pelo que acreditamos e começamos a nos tornar indiferentes com a dor alheia. A indiferença, brilhantemente chamada por alguns de “o oposto do amor”, tem contaminado nossos comportamentos de forma avassaladora. Fato que, é claro, a gente geralmente nega. Nos achamos indivíduos generosos somente por marejar os olhos frente a uma enxurrada de notícias ruins que as mídias nos contam e por abrir o verbo sem educação através da internet, mas pense, isso não basta para ser classificado como alguém que se importa mesmo, de verdade! Apenas discordar dos acontecimentos não nos faz ser um patriota, uma pessoa sensível ou um bom colega de existência. É preciso mais. É fundamental perceber, se emocionar e fazer alguma coisa. Não só dizer que percebe, dizer que não concorda, dizer que se emocionou, dizer que vai fazer. É necessário ter protagonismo, sabe?

E essa falta de interesse pelo sofrimento dos outros, seja ela inconsciente ou não, nos adoece eticamente, energeticamente, espiritualmente. O tempo que dispomos – aquele do relógio, dos anos, da vida – comanda nosso ritmo, dita a duração de tudo, passa rápido, é rigoroso, demanda ação e reação. Porém, também nos dá oportunidade de escolher como podemos vivê-lo, e sempre podemos fazer melhor alguma coisa.

Outro dia li uma frase enquanto navegava pelo Google: “a vontade é a necessidade física ou emocional que o indivíduo sente de fazer algo”. Depois dessa definição eu olhei para os lados, olhei para dentro de mim e me perguntei se estaria aí a explicação para tamanha inércia frente aos acontecimentos do nosso mundo… Será falta de vontade? Não tenho certeza, pois muitos de nós estão cheios de vontade de mudar o mundo e ainda assim não fazem nada com relação a isso.  E nessa linha de pensamento a minha memória relembra missas que frequentei na infância, ouvindo algo parecido com “glória a Deus nas alturas e paz na Terra entre os homens de boa vontade”…

Vontade. Boa vontade. Talvez possa estar aí o caminho que leva à ação: a boa vontade! Querer, sentir necessidade de fazer algo bom e agir mais. Boa vontade para, pelo menos, não julgar quem está fazendo alguma coisa e nem torcer o nariz para as “ações ínfimas”. Fazer pouco é melhor do que não fazer. Ouça seu coração. Ouça os outros corações. Tome a frente e seja protagonista da sua própria história de vida fazendo o contrário da indiferença, porque essa grande arte que é a nossa existência já está ficando com dramas demais.

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