O pouco que é muito

Nesta época de dezembro parece que todo mundo perde um pouco da tranquilidade, mas alguns perdem junto a elegância e a compostura. Há muita prepotência, exageros e desperdícios predominando no comportamento daqueles que se autoavaliam (e avaliam os outros!) baseados em valores muito distorcidos. Como tem gente tendo ataques de estrelismo por aí! Dão shows luminosos de arrogância e auto importância. Será que é para combinar com as decorações de Natal da cidade?

Alguém que tem muito dinheiro ou cultura não é, necessariamente,  uma pessoa sensata, educada e feliz. A abundância, a autoestima, a importância e a fartura são conceitos que dependem muito do momento e da situação em que nos encontramos.

Por exemplo, eu já acabei com a minha fome comendo um bom e simples pedaço de pão com manteiga. Já me senti completamente amada só por receber ‘aquela’ olhada na hora certa. Já me senti importante porque alguém concordou com o que eu disse. Já me senti acompanhada só de ver que tinha uma outra pessoa, desconhecida, caminhando na mesma rua escura e ameaçadora em que eu e estava. Já achei que era a pessoa mais rica do mundo quando comprei um brinquedo para o meu filho, cheio de saúde, se divertir. Já me senti super perto de alguém só ao falar por telefone, mesmo estando do outro lado do oceano. E já me percebi uma pessoa melhor apenas por não ter revidado agressivamente quando alguém errou.

Ter a percepção de que coisas muito simples também podem nos fazer sentir bem e grandes, não é estar com a autoestima ruim, nem tem nada a ver com grana, status e cargos. É estar conectado com as diversas possibilidades de crescimento que a vida oferece. Não é necessário gritar ao mundo o quanto você é melhor do que a maioria das pessoas (?!!??). O mundo não quer mais gritos nervosos. Quem e o que é importante depende do ponto de observação da vida onde a gente se coloca.

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2 Comments on "O pouco que é muito"

  1. Filipe Lucena
    13/12/2011 at 11:52 am Permalink

    Excelente Kety !

    Parabéns pelo texto … 🙂

    Abraços …

  2. Daniel Mezacasa
    13/12/2011 at 8:22 pm Permalink

    Realmente Kety. Obrigado por compartilhar esta visão que concordo plenamente.
    Vivemos um momento de inversão de valores absurda na maior parte de nossa sociedade.
    Aparentemente as pessoas tentam se afirmar com os recursos externos, bens materiais e poder. Talvez o lance todo do consumismo do natal seja meio propício a este descontrole. Não me entendam mal gente, eu adoro natal, compras, presentes e tal.
    Porém nesta fissura descontrolada muitas pessoas esquecem de observar o seu infinito tesouro de recursos internos, vivências que passaram neste ano e o sentimento de gratidão por estar completando um ciclo.

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