A entrega

Vivemos numa época onde não temos tempo, nem local, nem estrutura de relacionamentos, e nem permissão interna para relaxar e nos entregarmos. Se entregar no sentido de ser o que se é, falar o que se sente, expressar o que se pensa, agir sem pensar se é socialmente bonito. Todo mundo é meio que ‘gato escaldado’ e já levou algumas duras pancadas e, de quebra, rótulos de algo bem diferente da intenção que tinha no coração quando se entregou, não é mesmo? Assim, a gente sente que tem que se defender constantemente e estarmos atentos o tempo todo. Como se entregar, se tudo nos solicita defesa? Medo 10 x espontaneidade 0.

E, às vezes, quando conseguimos nos entregar, parece que aquilo vem como um jorro, com uma força tão desmedida, que nos faz sentir vulneráveis e até assusta… Mas é o resultado de tanta contenção… E aí se corre o risco de exagerar mesmo, de passar limites e fazer a entrega ficar com cara de derrota…

Se conseguíssemos nos ‘bancar internamente’ e nos dar essa permissão mais seguidamente, talvez ela nos parecesse mais natural – como ela de fato é. A entrega nunca é para os outros ou para uma situação. A entrega verdadeira é para aquilo, ou quem, realmente somos.

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One Comment on "A entrega"

  1. Daniel Mezacasa
    28/09/2011 at 5:07 pm Permalink

    É verdade Kety. Se a gente conseguir se entregar a cada instante na vida, a gente começa a perceber os milagres. Minha meta desde que voltei pra casa foi exatamente esta: me entregar a cada chícara de café, a cada coisinha pequena que faço no meu cotidiano, a cada “bom dia”, a cada “hello”, a cada abraço, a cada conversa.. e ai vai longe. Orai e vigiai serve até mesmo para a vigilia de ser feliz a cada instante. Heei!!

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