E não somos todos assim?

O texto anterior, muito bem escrito pelo Roveda, tem como inspiração várias histórias que ouvimos ao longo dos nossos anos de convívio com as pessoas. E ainda hoje fico me perguntando qual a motivação de alguém se sentir mais especial, tão diferente, ou mais ‘de Luz’ do que outras, senão pela carência e necessidade absurda de se dar um valor, uma importância, um sentido, uma identidade… É a necessidade de ter atenção, de dar vazão ou significado aos sentimentos que ficaram guardadinhos no peito, à espera de um dia serem reconhecidos…

O conceito de ‘pessoa de Luz’ é amplo. E sim, concordo quando o Roveda diz que precisamos ver o contexto, o entorno da tal pessoa. Aliás, acho fundamental! Espiritualista com hora marcada, é assim que, muitas vezes, os vejo. Na hora que estão na sua prática espiritual é tudo beleza, acabou aquilo e daí se manifesta a vaidade. Como grandes patrolas que tomam o espaço alheio sem olhar para os lados. Afinal, se dizem de Luz… 

Mas, peraí, nós não somos TODOS assim, pessoas especiais e seres de Luz?! Penso que potencialmente sim! E é verdade que nem todos optam ou agem na Luz, mas poderiam se quisessem ou conseguissem…

Não renego minha caminhada e assumo que no passado já tive meus cinco minutos de me sentir mais especial do que muitos. Chamo esse período – carinhosamente – de ‘fase do deslumbre’. E a experiência me diz que a grande maioria de nós passa (mesmo que não assuma) por essa fase, que é quando nos damos conta, nos tornamos conscientes das nossas sutis potencialidades. Mas precisa passar, não dá para manter em estado permanente aquilo que existe para ser apenas uma fase. É preciso ir além dos fenômenos, das visões, das vozes, da sensibilidade que não tem utilidade para nada, apenas lhe reafirmando o ‘quanto’ você é especial. Sensibilidade e mediunidade sem propósito algum, nos valem o quê? Após o deslumbramento deve chegar a coerência e a disciplina. A gente se redimensiona, acha a função e o propósito e busca SER isso tudo, sempre em comunhão e cooperação com os demais. Nem mais, nem menos do que ninguém.

Na verdade, eu não acho graça, não sinto pena e nem me encanto por aqueles que se autoproclamam pessoas especiais, seres de Luz. Apenas digo: largue essa aura mística que só impressiona e não ajuda ninguém, abandonem a ‘capa de lamê dourado’, superem a adoração à fenomenologia. Para mim somos todos muito especiais, como as sementes que guardam todo o potencial de se tornarem árvores.

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