Eu e a série Twilight

Quando eu tinha de quatro para cinco anos de idade a minha irmã resolveu me ensinar a ler. Eu aprendi e gostei. Lia de tudo: contos de fadas, gibis, enciclopédias, fotonovelas, o que passasse pela minha frente! Eu cresci e enquanto não tive dinheiro para comprar livros, frequentei muito a Biblioteca Pública de Porto Alegre, depois vieram as visitas aos sebos, a troca de livros com amigos… Continuava gostando de ler de tudo: de literatura cor-de-rosa (Sabrina, Júlia, Bianca), Oscar Wilde, Shakespeare, Eliphas Levy, revista Bizz, a Bíblia, Jean-Paul Sartre, Mario de Andrade, jornal Zero Hora, Mario Pirata, o Malleus Maleficarum, etc. Nossa, muita coisa! Mais tarde, com grana no bolso, fiz ‘ranchos’ na Feira do Livro, em livrarias charmosas e até nas bancas de revistas. E a única coisa que compro pela internet são livros! Ah, e quase esqueço um detalhe importante… o cheiro dos livros, huuum, eu amo…

O fascínio pela leitura nunca se foi, e me considero uma pessoa, como se diz, até ‘bem lida’, pois já contabilizei alguns poucos milhares. Mas, talvez por ter lido tanto e aprendido muito com a diversidade que vários autores me ofereceram através de seus escritos, é que não tenho grandes preconceitos com literatura ‘fraca’ (isso existe? eu e meu filho adoramos os livros do Harry Potter!) ou algo muito ‘cabeça’. Sim, tem gente que escreve meio mal e é um sucesso absoluto de popularidade e tem os gênios que apenas meia dúzia leram. Conheço os dois tipos, e bem! Meu critério atual para ler um livro – sim, às vezes eu tenho critérios, embora eu goste de ler até bula de remédio e nome do editor da revista – é: acrescenta alguma coisa na minha emoção ou na minha mente?

E sendo assim, eu declaro publicamente: estou humanamente apaixonada pela série de livros (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse, Amanhecer) da Stephenie Meyer, uma escritora americana mórmon que escreveu quatro livros e meio (o meio eu explico em outro post, ok?) sobre um romance entre um vampiro e uma humana. Parece um enredo bobo, né? E todo mundo diz que é coisa para adolescentes, como são os personagens dos livros! Mas eu, sem muitos preconceitos, com os meus quase 43 aninhos e muito pouco romantismo no corpo (já não estou tão certa disso), fiquei encantada com a história! Devorei os livros todos em poucos dias. E não tenho vergonha nenhuma de assumir…

Bem, não é nenhum livro ‘cabeça’, desses muitos que já li e também adoro, e nem tem nada a ver com desenvolvimento espiritual – que costuma ser a minha preferência -, porém, é absolutamente fantástica a forma como a autora escreve sobre coisas, como vou explicar, tããão humanas. Claro que Shakespeare e Jane Austen (inspirações para a autora) escreviam muito bem seus romances, mas esta série faz a gente entrar numa dimensão paralela, faz a gente encontrar algumas emoções de um jeito muito direto e verdadeiro. Há uma profunda e imediata identificação. É o amor sublime que todos buscam.

O personagem principal é o tal vampiro (perfeito) Edward Cullen, que reúne – e supera – absolutamente todas as melhores características de todos os ‘príncipes encantados’ lidos anteriormente. Mesmo. Mais até do que o maravilhoso Mr. Darcy (de Orgulho e Preconceito)! Penso que esse é um dos pontos principais que pode explicar o fenômeno de vendas desses livros pelo mundo a fora. Não tem como não ter uma crise de ‘mulherzinha’ e não se colocar no papel da mocinha Bella Swan. E se você apenas viu o filme Crepúsculo adaptado do livro, tenha certeza que, embora seja ótimo e com aquele lindo ator Robert Pattinson (uau), não chegou nem perto do livro.

Não tenha preconceitos, liberte-se, leia mais e descubra que nem só os textos sagrados falam para nossa alma. A emoção pode estar em todos os lugares desde que a gente se permita!

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One Comment on "Eu e a série Twilight"

  1. carmem lucia freire de giusti
    31/01/2009 at 9:19 am Permalink

    Muitas pessoas já ouviram eu dizer, em plena terapia, que ler …até uma crônica, Marta Medeiros por exemplo, e, por um instante, se dar conta que “nunca havia pensado nisso”,,já é crescimento.
    Beijos Floridos!

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