Terceirização espiritual

 

Como pertenço a uma família católica, me criei com orações para santos, promessas e novenas. Até acho bem bacana, é legal pensar que alguém, algo, uma energia, vai te dar uma força em momentos onde a gente esgota as próprias possibilidades. Também é uma delícia pedir a bênção da avó, receber de algum amigo o Reiki  à distância, ou uma corrente de orações para conseguir algo que estamos nos dedicando muito, e até o clássico ‘Ô mãe, reza por mim!’, e tantos outros pedidos de ajuda. 

Mas não dá para terceirizar isso, certo? 

Eu não posso querer ficar no meu conforto e aceitar que outros se conectem com os ‘lá de cima’ para darem um jeito na vida que eu não dou um jeito. Isso é auto engano, escapismo, pura zona de conforto… A gente engana a própria mente pensando que estamos fazendo a nossa parte, pois tem alguém dedicando sua energia por uma ação que deveria ser, em primeiríssimo lugar, nossa! É como dizer ‘Fulano, preciso rezar para conseguir mais trabalho, mas faz assim, vai na missa por mim que eu não quero perder o filme que vai passar na tv’. 

O que é isso?! Terceirização espiritual?

Se o descomprometimento de alguns frente ao próprio desenvolvimento espiritual continuar assim, qualquer hora vai ter um número que a gente telefona, encomenda dois milagres com entrega rápida e aproveita para pedir que enviem junto uma Coca-Cola bem gelada!

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