Criar a própria realidade: alienação ou um novo jeito de existir?

Ao se levantar a bandeira de que o autoconhecimento é a chave da consciência, que nos tornamos seres mais desenvolvidos quando olhamos para dentro e assumimos a responsabilidade por quem somos, nos defrontamos com uma pergunta assustadora: depois de se estar consciente, vem o quê? A Transformação – dizem os textos das grandes religiões e mestres que passaram pela Terra.
Mas como transformar mesmo, pra valer, a própria realidade? Como conseguir na prática modificar a vida para melhor?
A tendência é dizermos: ok, já entendi, já caiu a ficha, mas ainda assim nada mudou! Estar consciente, embora até possa ajudar, não é entender alguma coisa ou esperar um milagre! Estar consciente é um conceito muito mais amplo, que envolve não só a racionalidade, mas especialmente os sentimentos e a mudança de atitudes, porque aí é que reconhecemos os nossos padrões repetitivos. As pessoas costumam perguntar como mudar, como conseguir agir diferente, pois bem, é fazendo, agindo diferente! Técnicamente simples, mas emocionalmente dificílimo.
E o medo onde fica? Travamos tanto nele que aceitamos desaforos horrorosos da pessoa que gostamos, por medo de perdê-la e não saber viver de outro jeito. Aguentamos empregos medíocres, improdutivos e mal remunerados, porque não nos conscientizamos que somos capazes de melhorar. Nos sentimos sozinhos, e temos dificuldades de mudar isso, não buscamos a companhia nem da vizinha do lado, afinal o que os outros vão pensar. Estagnamos numa desorganização financeira que não tem empréstimo que dê jeito. Sempre temos um amigo que nos ferra, mas afinal somos amigos há tanto tempo, não dá pra mudar agora, é tão bonita uma “amizade” de tantos anos. Será?
Somos adultos, bem informados, juramos que somos maduros, porém nos prendemos a padrões de comportamento que estão inadequados para o hoje, o agora. Até mesmo com coisinhas simples do dia-a-dia. Quando contamos uma piada legal para algumas pessoas e elas se divertem, mantemos a mesma piada em todas as ocasiões possíveis esperando o mesmo resultado. Você certamente conhece alguém (ou quem sabe você mesmo) que tem o padrão de manter corte de cabelos, estilo de roupas, o mesmo perfume, gírias e atitudes de uma época em que se julgava feliz ou que se teve resultados favoráveis. Se fomos muito severos para cobrar algo e ainda assim fomos atendidos, a tendência é “congelar” esse comportamento e não mais questioná-lo. E os padrões que mantemos de reação aos resultados e experiências ruins da vida, que envolvem as perdas, traumas e dores? Parece até que apertamos em algum botão interno e pronto, lá vem a mesma forma alienada e escapista de reagir a situações diferentes, mesmo que sejam parecidas.
Nada, nenhuma experiência é igual à outra. A vida se renova a cada instante, então como pode ser possível que nos desconectamos tanto da vida que não nos renovamos também? Isso é consciência ou repetição? Piloto automático de atitudes, talvez?
Conscientizar-se de algo, por si só, não muda muita coisa, a verdadeira consciência só surge quando percebemos, e entendemos, e sentimos, e escolhemos começar a praticar, e fazemos! A tão falada Transformação é o resultado desse conjunto de ações. Depois que passamos para o nível de mudanças conscientes de atitudes, aí nos tornamos conscientes criadores de nossas realidades.
Existir de um outro jeito… Que baita responsabilidade, não? Será?

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2 Comments on "Criar a própria realidade: alienação ou um novo jeito de existir?"

  1. Mauricio Rosa
    18/02/2008 at 3:30 pm Permalink

    É preciso ter coragem para abrir os olhos e tomar decisões que mudem nossa vida.

    Obrigado por ter feito descobrir parte da minha corragem.

    parabens pelo blog.

    Grande abraço a todos da família Casa do Conhecimento.

  2. Ísis
    07/04/2008 at 11:59 am Permalink

    É isso mesmo!

    Primeiro a consciência da necessidade de uma mudança, e em seguida AÇÃO! Ter coragem de executar estas mudanças e partir para uma ação, por mínima que ela possa parecer. O primeiro deve ser dado, caso contrário, iremos ficar inertes apenas na consciência.

    Gostei do seu Blog, estarei sempre por aqui.

    Ísis
    http://isisalves.blog.terra.com.br/

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