Toc, toc, toc, tem criança aí?

Para começar a ler este texto preciso que você siga algumas instruções bem simples: deixe vir a sua mente aquilo que mais lembra infância para você, pode ser bolo de chocolate, brigadeiro, futebol na rua, a boneca preferida, o desenho animado, enfim, algo que acorde a sua criança interior.

Estou falando sério, deixe o espírito infantil tomar conta de você, porque só assim as palavras seguintes farão sentido.
Agora que você já está em contato com a criança que existe em você (assim espero) podemos começar a falar de, adivinha? Crianças. Sim estes pequenos – grandes – seres humanos que nos rodeiam e que tanto nos ensinam. Mas por que todo este preparativo para falar de criança ? Porque é só assim, através de nossa criança, que poderemos entendê-las e só assim elas nos compreenderão.

Hoje em dia, muitos pais lotam consultores em busca de entendimento do que está acontecendo com seus filhos, normalmente com as mesmas queixas: eles não obedecem, não escutam, não compreendem. Em muitos casos, salvo é claro as excessões, o pivô desse não entendimento é a adultice* com que alguns pais agem perante os filhos. Esqueceram de olhar para dentro e encontrar através de sua própria criança uma maneira de se fazer entender.

Alguns ensinamentos podem vir, e muitas vezes de maneira mais eficaz, através da brincadeira, do conto de fadas, de ir para cozinha fazer um bolo, plantar flores, tomar banho de chuva. Ninguém usa um martelo para costurar, então, é equivocada a idéia de usarmos adultice para lidar com crianças.

Precisamos cuidar dessa síndrome de adultice que ataca a maioria de nós adultos, reestabelcer a conexão com a criança que existe em todos nós, assim poder re-encontrar um instrumento que nos permita entrar em contato, de forma eficiente, com as crianças, de corpo, mente e coração. Chronos o Senhor do Tempo já se encarregará de torná-los adultos, não precisamos nós “contaminá-los” antes disso.

Se você chegou até aqui sem seguir as primeiras instruções, cuidado, você está com a taxa de adultice muito elevada, isso pode se tornar perigoso, pois ela causa grandes estragos na sua taxa de alegria. Para te ajudar vou sugerir que nas próximas horas você tente colocar alguma das palavras a seguir em prática: acreditar, arriscar, imaginar ou experimentar. Se você conseguiu realizar o que foi proposto, parabéns, seu coração deve estar mais feliz e você poderá travar um “papo criança” com algum pequeno.

*Adultice: síndrome que ataca adultos, porém algumas crianças também são contaminadas devido a exposição excessiva aos ataques que tal síndrome provoca, seus sintomas são: medo de sentir, acreditam que devem ser demasiadamente controlados, criam uma lista enorme de “micos” que devem ser evitados e usam freqüentemente as palavras como, silêncio, ocupado, atrapalhado, atrasado, confuso e isso é coisa de criança.

Trackback URL

2 Comments on "Toc, toc, toc, tem criança aí?"

  1. Lisa
    29/11/2007 at 7:52 am Permalink

    Adorei o texto… fiquei feliz, pq me senti criança, hehehe!!!!

  2. Bruno
    31/07/2008 at 9:16 am Permalink

    Por isso digo; os melhores pais são os que melhor se lembram da infancia!! :O)

    Abraço forte em vós!

    Be’n Ka

Hi Stranger, leave a comment:

ALLOWED XHTML TAGS:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Subscribe to Comments